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Trazes
uma floresta dentro
de ti
Aguardas
o encontro colérico das águas
e inauguras a viagem,
a vaga do verbo eleito
trama a sua rota,
ecoa na explosão que arrasta o olhar.
O barco transportando terror
atravessa o delta esquecido da língua,
ventos póstumos escavam o fóssil
da voz longínqua a murmurar ainda.
Crescem urzes na linguagem
que abandonaste,
sorves a clorofila da palavra tempo
e inoculas em ti mesmo
o veneno.
Escoa
a maré que ajudaste a gerar
mas nenhum porto aceita a tua âncora.
Inflama
o pus que recebeste como dádiva
na voragem da manhã coagulada.
Trazes uma floresta dentro de ti
a tremer alucinada,
plantando estátuas de pânico
sobre o charco onde procuras teus ossos
e o silêncio cumpre o seu exílio.
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uma clareira no poema: |
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