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The
Poor
Pobre
de mim, habitante impuro de habitat indesejável,
há nobreza nos homens, olho com escárnio,
por essas janelas de vidro, meu beijo sem carne
invadir a palidez dos espelhos, a vida a passar
esquálida, enfio-me no seu inusitado conhecer
marginal extremo, deleitando-me nas noites estreladas
nas mortalhas que me aquecem e mastigo todos os
dias os vermes que me servem, como um excluído
das mesas fartas do mundo. Meu excremento é
seco, tenho olhos sombreados com fastio pelo futuro.
O relento é minha estátua rarefeita
no cotidiano do abstrato. Em resumo, não
existo, não há marketing para mim
(um absoluto absurdo anônimo da multidão
a celebrar toda a estupidez). Uma mórbida
causa a angustiar para o que não tem remédio.
Minha aldeia são os viadutos concretos dessa
cidade, pixados por minha arte "rupestre",
suburbana, contemporânea e inspiradora de
poetas bêbados. Pobre de mim. Sem portas,
sem quintais, indigno à esmo, pertenço
aos compositores enriquecidos por minha condição
e sou incluído apenas nos discursos políticos
dos pulhas e presidentes desse país.
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