Oásis

Do lago coloidal
o outro olho do deserto
Espelho líquido
(Isso quer dizer que somos em mim
eu sou tu
ou o mergulho, inefável...)
No teu olho quero ver outra Imagem
E não o meu reflexo
Ele que me furta todo conhecimento.
.
O olho, espelho
de translucidez cega
lago de vidro
lago escuro
que se furta o seu
próprio segredo.
.
Pois, náufragos
do aquário para as margens.
olhar ao redor,
o teu rosto,
onde procuro o mundo inteiro.

.

Poesia In vitro

A Coisidade do vaso
não reside, de modo nenhum, na
matéria de que ele consiste,
mas no vazio que contem.

      Martin Heidegger
.
       Acústica
 (dentro do corpo)
       e nesse
        (corpo)
          cito
        coisas
E necessito coisas
E necessito coisas
             .
             .
             .

Um eco as reverbera

Nu mantra, inato
Verboconectivo
Ao vapor do seu próprio òpio
.
Como limo, no limbo dileto
Tal dialeto consiste a couraça
         Superposta
como as dimensões do tempo.
.
              Hiato
Ante poros são
Micro-abismo-sensíveis
.

Platô

Quando chegar as duas da

Tarde estará como antes.
.
Quando vier sua mão
Cedo silente a minha
Dela perdida para o lugar
            Que me hospeda.
.
Auto ciente abajur aceso
Único borrão num quarto escuro e imenso
: suspenso vão para o mar suspenso :
e luz fria para as têmporas
do homem são guelras
que bebem ar e luz
e aquece o mar das comportas.
Quando o quando for pátil
Poesias não serão horas que se lêem
Pela espessura e alcance das sombras
E o tapete de uma sombra
Deitado como após poente
E desdobrado no lugar
Das cortinas dessa casa.
.
Quando será
Não haverá reserva, o côncavo ventosa

mas mãos plasmadas aos atos
O Hiato será o antes de haverem mãos sagradas.
.

Água Furtada

Profiro o outrora dito,
Imenso, deitado de bruços.
O sim, cindido em súbita escala
de sensos, defendurados...
(selando meu rosto, a focinheira de prata)
.

E durmo

.
Ao mar sem siso
E o leito se plasma leve
Turvo, terno
E a letra do teu nome, eleita
Mergulha na mente mas
Desmente-se em si :
A má ’ água
O lençol, o tecido, o ter sido.
Malhas para um mergulho de narciso.
.
.

Mas do que água do leito

Eu, menos do que a própria água
        A própria água.
.
Esvai o foco, vão rente aos pés.
São as margens que desaparecem para ti.
Tal mimetismo de um bicho que pousasse
Transparente sobre as folhas.
.

O caminho

Luz prismada de um único feixe
Voz crispada pelo discurso
O transcurso dos peixes da represa ao norte
As torres incendiadas em silencio.
.

Karina Jucá
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