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Quem?
Hoje,
o sujeito é outro
e pensar sem sujeito
é liberdade e medo
(ou suave morte sem ternura).
Abre-se o espelho,
narciso dissoluto
(raramente eu era eco
e nunca imagem).
Na vida sem reflexo
perdi o meu olhar.
Hoje,
quem, o outro,
a resposta, o bem?
Quem me respira?
O ar sem teu sabor
é verso sem leitura.
Arranco-me esse avesso
sem desejo e luto:
impeço-me de sentir.
A linguagem
é o segredo original,
mas sem resposta
qual palavra se mensura?
É
outro, o hoje,
mesmas, as palavras.
A língua flutua,
incorpórea,
no poema.
Lentamente,
o cosmos
me percebe:
constela-me o grito,
e retraça o meu destino
no estilhaço vivo
do instante mais banal.
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