Neto
de agricultores familiares expulsos de suas terras, por uma
enchente provocada pela instalação de barragem
no Estado do Paraná, na década de 1970, Paulo
Vieira nasce em São Miguel do (rio) Guamá,
no Pará, e muda-se para Belém com a mãe
e os avós, em 1980, aos dois anos de idade. Vive uma
infância amazônico-urbana (criado pelos avós)
passada na periferia da cidade, entre os restos de uma floresta
perdida na poeira do caos, ouvindo a voz arfante do avô
lhe descrever aquele pedaço de chão que um dia
ainda vai conseguir... Seus primeiros versos surgem nessa época,
marcada pela ausência do pai. Movido por uma devoção
a Zé Terra (o avô), Paulo cursa Engenharia Florestal,
época em que descobre seu amor pela Amazônia, pelos
amigos, e pela jovem poeta Martagiörgya. Poucos anos depois
o poeta despede-se de um irmão, e de um melhor amigo.
Daí em diante os anjos verdes que ficaram o têm
ajudado a construir a infância de cada dia.
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