Celeste Proença,
no encarte do show, "Peças Íntimas"

Andréa Pinheiro não representa apenas uma das vozes femininas privilegiadas desta terra. É, além disso, uma artista nata. Passa emoção ao seu desempenho vocal, coloca sensibilidade em sua técnica. Ao interpretar, transforma-se na ponte entre a canção e a alma do público, que se deixa contagiar e seduzir. Filha de um grande músico, o violonista Everaldo Pinheiro, trouxe de berço tantos predicados naturais.

Gosto de escutá-la cantar. Quem não gosta? Desloca-se com classe sobre o palco, gesticula sem afetação, solta o seu timbre cristalino imune a artificialismos. Mantendo o domínio do canto, exibe afinação e apuro seja a música sofisticada ou não. Waldemar Henrique é claro, ganhou mais uma cantora de qualidade.

Andréa também demonstra respeito aos músicos, colegas de trajetória profissional, o que traduz-se em arranjos de bom gosto, num trabalho que estimula a elaboração condizente com as virtudes e possibilidades dos mesmos. Afinal acompanhá-la não é problema. Problema é encerrar o número apresentado, que parece pedir para não morrer. E a música em si não poderia receber um tratamento mais puro de sua parte; verdadeira integração avessa a vulgaridades e concessões inadequadas.

Para o bem de todos nós, continuará percorrendo o seu caminho musical, espalhando sons de encantamento em nossa aventura de viver, que felizmente cruza momentos como este.

Alfredo Oliveira


Andréa Pinheiro é um nome bem firmado nos palcos da música paraense. Voz privilegiada de artista talentosa, tem conquistado a admiração e o entusiasmo de todos os que - como eu - já tiveram a grata oportunidade de ouvi-la.

Neste CD, assume a grande responsabilidade de interpretar canções de Waldemar Henrique, o maior compositor paraense do século XX, tarefa que se desincumbe com refinada técnica o que he credencia a inscrever-se entre os mais importantes intérpretes do imortal autor de Tamba-Tajá.

Dia desses, Andréa esteve comigo indagando com alguma ansiedade, o que Waldemar pensava a respeito de ter suas composições, originalmente escritas para canto e piano, cantadas em linguajar musical moderno com os acréscimos de novos instrumentos e, principalmente de novos arranjos. Tranqüilizei-a firmando que o compositor sempre manifestou simpatia, independentemente desses acréscimos, quando comentava a permanência de suas músicas no interesse das novas gerações, mesmo tendo sido - algumas delas - escritas há mais de meio século, o que é demonstração incontestável da imortalidade de sua obra.

Certamente se estivesse entre nosso mundo dos vivos - o meu velho amigo e compadre, estaria feliz ao ouvir Andréa Pinheiro retocar com sua voz colorida de singular tonalidade, as canções que vieram enriquecer para sempre a música brasileira, nela destacando pela primeira vez, a rica mitologia amazônica.

Andréa tem muito chão a percorrer. Os palcos do Brasil a esperam e ela certamente os comportará. Talento não lhe falta.

Com vocês Andréa Pinheiro...

Sebastião Godinho


Talvez o aspecto cultural mais expressivo e original de Waldemar Henrique, seja a sua oralidade musical narrativa, ou narrativa oralizada musical ou, ainda, a musical oralidade narrativa. O exemplo emblemático dessa dimensão é “Uirapuru”, que tem início narrativo-oralizado ribeirinho e coloquial assim: “Certa vez de montaria / eu descia o paraná / o caboclo que remava / não parava de falar... etc”. Uma oralidade musicada que integra simplicidade, elegância, requinte, universalidade, brilho e invenção.

Waldemar não é um “aedo” heleno dos mares da Grécia antiga. É um “aedo” caboclo dos rios do Pará-amazônia. Um contador de histórias musicalizadas. Um cantador de histórias.

Embora sua obra lírica por excelência, tenha um ar de intimidade coloquializada, ela não prima pelas reminiscências ou revelação da alma inquieta. É um lirismo contemplativo, da alma posta no olhar.

Waldemar Henrique é, portanto, o nosso mais original, criativo músico, tendo inventado essa modalidade a que eu chamo de oralidade musical, condizente com a tradição de oralidade tão essencial à cultura paraense-amazônica. E sem nunca perder a leveza, o brilho, a revelação, a delicadeza, a magnífica tecitura que faz de sua música uma encantaria da alma amazônica.

Andréa Pinheiro tem voz, sentimento, paraensismo, timbre, intensidade, afinação, técnica e expressividade para cantar a oralidade narrativa dessas canções. A escolha do autor já é um indicador de seu gosto refinado. Ela esconde em sua garganta um ninho de uirapurus. Sabe o segredo de como libertá-los em seu canto. Esse canto de Andréa que, com o tamba-tajá, “me faz feliz”. Esse seu canto musicalíssimo que nos faz feliz.

João de Jesus Paes Loureiro


Cariocas descobrem o talento e
a voz afinada de Andréa Pinheiro

A voz afinada da cantora paraense Andréa Pinheiro rompe fronteiras. Esta noite, Andréa faz sua segunda apresentação em palcos cariocas. Dessa vez no projeto Novo Canto, do Sesc Copacabana. “É importante levar nossa proposta de música para outros palcos e sentir a receptividade”, disse a cantora, que se apresentou também em junho no Teatro Café Pequeno, no Leblon.

A primeira incursão carioca de Andréa Pinheiro aconteceu por obra e graça do compositor Sérgio Natureza, que comprou em uma loja do Rio o CD “Fiz da vida uma canção”, em homenagem ao compositor Waldemar Henrique, e acabou se apaixonando pela voz da intérprete.

O entusiasmo foi tanto que Natureza escreveu um artigo sobre o trabalho de Andréa para o jornal “O Globo” e a convidou para o projeto “MPB Prêt-a-porter”. “É muito bom ver seu trabalho reconhecido fora do seu circuito”, diz a intérprete.

Em junho deste ano, Andréa embarcou para o Rio com um repertório variado, que incluía algumas canções do CD e pérolas da MPB e da música paraense. Para acompanhá-la na primeira apresentação, que aconteceu no Teatro Café Pequeno, Andréa levou o compositor e violonista Floriano, arranjador do seu CD, e contou com a participação do bandolinista carioca Afonso Machado, do conjunto Galo Preto.

Machado já é um velho conhecido de Andréa, com quem gravou um CD de samba que está há alguns anos à espera dos investimentos da Secult (Secretaria de Cultura do Pará) para ser gravado.

Para o projeto Novo Canto, Andréa escolheu choros, sambas, valsas de autores paraenses e outros conhecidos nacionalmente. Entre os do Pará, estão Nilson Chaves, Waldemar Henrique e Floriano, que volta a acompanhá-la nesse segundo show. “Quando fui chamado para trabalhar no Novo Canto, eu não pude deixar de chamar a Andréa”, disse Sérgio Natureza, que faz parte da equipe de produção. Para a nova empreitada, além de Floriano, Andréa conta com a percussão de Márcio Jardim, que embarcou ontem para o Rio, ao lado de Andréa Pinheiro.

O projeto Novo Canto, um trabalho maior em espaço, infra-estrutura e divulgação que o anterior, começou no último dia 5 deste mês e acontecerá durante oito terças-feiras quando cantores desconhecidos do grande público dividem o palco com intérpretes já consagrados. Andréa dividirá o palco com a cantora paulista Cida Moreira, que topou o trabalho assim que ouviu a voz da cantora.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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