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Nosferatu Quando a lua uiva A capa, asa de negrume E por fim deixo em tua |

| Um
corpo fechado em copas, fechado. |
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Chama a atenção, neste trabalho de Antônio Moura, a imagem que irrompe, violenta e desmedida, como que a acordar os poemas. Assim, a linha "moita estremecendo aos guizos/da serpente", tensionada por uma torção, que amplia sentidos, explode em "...falo/em negro e pelos/golfos de veneno". Sexo e paisagem fundidos. Chama a atenção também o lirismo, conciso e expressivo de, entre outros, "Crepúsculo City": "o sol-motor/carbura cor/dor/a diesel". Todas as selvas. Há - entre tantas - rimas significativas como aziago/calendário, em "Monocórdio", tempo soletrado, para o qual "o Deus-Não que faz chover/pixe no paraíso...". Ou, ao contrário, anota (o deus? poeta) que "onde/o acúmulo do musgo/umedece as portas/da palavra morte". Rimas encontrando sentidos. O brutalismo plástico de Antônio Moura, não à toa colaborou ele com o artista plástico P.P. Condurú, às vezes aparece, também irônico como no poema "A urina perde-se no mar, esquecida" ou em linhas como "O teu sapato rodeados de lacraias/As tuas núpcias com cadelas..." - violência e solidão. Um dos méritos deste conjunto de poemas, que revela uma nova voz, é o rigor, o tom rascante - "mascando a mosca", equilibrado por um sentido fino de composição. "Entre o labirinto de estrelas/e a merda sob elas..." segue esta primeira poesia de Antônio Moura, inquieta. Ao mesmo tempo, brasileira e cosmopolita: "zuluz / ó / búziolua" ou "por que falar/na Eiffel se/teu seio assim teso/é puro penhasco". Régis Bonvincino / setembro 96 |

Antônio Moura