Introduction
Crepúsculo City
Carmen
Era uma vez
Monocórdia
Quotidiano
Um corpo
A urina perde-se
no mar, esquecida
Ó, a
Sebastião
E
À
Separation

 

Antônio Moura

Dez

  Poemas

atentAAantena
O egípcio
Homem-Aranha
Circe
Soledade
Dezembro 92
A ti, somente o resto
Wolverine
Macumba Macumba
Nosferatu
Around love orbit
so many stars
Aquiles

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Antônio Moura aos 5 anos
Nosferatu

Quando a lua uiva
sobre sonos e sopra
o pó das sepulturas,
exalo meu perfume e
negro lume, escapo

A capa, asa de negrume
envolve teu corpo, ar
repiando o dorso, car
ícia de brasa gelada

E por fim deixo em tua
pele-página, orifícios,
dupla marca, ver
melho sangue
: cravadas

 

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Um corpo

fechado em copas, fechado.
Em caixa, concha, caixão, encaixotado.
Em vidro, em tenda, fechado.
Favo de ouro, fórum de vermes, faraó
no sarcófago de Toth, no silêncio do éter.
Lacrado em X, fechado em cruz, crustáceo
na mão fechada do mar sem som.

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Chama a atenção, neste trabalho de Antônio Moura, a imagem que irrompe, violenta e desmedida, como que a acordar os poemas. Assim, a linha "moita estremecendo aos guizos/da serpente", tensionada por uma torção, que amplia sentidos, explode em "...falo/em negro e pelos/golfos de veneno". Sexo e paisagem fundidos.

Chama a atenção também o lirismo, conciso e expressivo de, entre outros, "Crepúsculo City": "o sol-motor/carbura cor/dor/a diesel". Todas as selvas. Há - entre tantas - rimas significativas como aziago/calendário, em "Monocórdio", tempo soletrado, para o qual "o Deus-Não que faz chover/pixe no paraíso...". Ou, ao contrário, anota (o deus? poeta) que "onde/o acúmulo do musgo/umedece as portas/da palavra morte". Rimas encontrando sentidos.

O brutalismo plástico de Antônio Moura, não à toa colaborou ele com o artista plástico P.P. Condurú, às vezes aparece, também irônico como no poema "A urina perde-se no mar, esquecida" ou em linhas como "O teu sapato rodeados de lacraias/As tuas núpcias com cadelas..." - violência e solidão.

Um dos méritos deste conjunto de poemas, que revela uma nova voz, é o rigor, o tom rascante - "mascando a mosca", equilibrado por um sentido fino de composição. "Entre o labirinto de estrelas/e a merda sob elas..." segue esta primeira poesia de Antônio Moura, inquieta. Ao mesmo tempo, brasileira e cosmopolita: "zuluz / ó / búziolua" ou "por que falar/na Eiffel se/teu seio assim teso/é puro penhasco".

Régis Bonvincino / setembro 96

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Antônio Moura

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