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Introduction

Neste antro          entro
toco                    o eco

           Nesta selva
           núbia dúbia
moita estremecendo aos guizos
da serpente                  falo
em negro e pelos
golfos de veneno

Neste astro, mênstruo mosto
mostrado
                 à carícia lâmina - vento
ardendo a
dentro                            falo

                             em fogareiro

Monocórdio

Agora é sempre agosto, o mes
mo odor, o mes
mo sabor,  o mês
aziago

Entra mês sai mês sempre o mes
mo agosto - a boca, amarga,
soletrando o calendário

desenho: Antônio Moura - (19204 bytes)
Around love orbit so many stars

A Torre Eiffel a esta
hora
fura
o ar:
ereto falo.
Por que falar
na Eiffel se
teu seio assim teso
é puro penhasco

A Eiffel vestida
de ferrugem, range longe - o Amazonas
umedecendo o púbis da floresta

                              Cá
somos nós e o fôlego de sexos
abrindo as asas        Circundando os mundos
                               o céu-oceano
                               Insone

WOLWERINE
Agora resta ao aro das feras
Este rasto no Inferno
Este rosto exposto ao crime
Este fogo nas narinas - este
estilo-estilete lacerando
o branco da múmia, o insepulto
cadáver da arte - fúrio defunto
socando a porta dos fundos
- sangue nos punhos -
até que a obra abra  para fora e grite:

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atentAAntena

o
poema

conciso              retém
no ar                 o ruído

E

compacto capta
- apta onda -

 

imagem
rápida

 

Aquiles

Descalço as botas e as boto
junto à tumba
de meus mortos

                               Desboto
                          à sombra que alvorece
sob a árvore de outubro
(novembro, no ombro, já estremece)
e entretece outra estação
para a silhueta do solitário

Ignorante ante os signos da tarde
que vem arder seu círculo de jade
desfinco as setas desferidas
contra os calcanhares

e parto
                          meio manco, de um lado

                             

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Antônio Moura

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