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O projeto Belém da Memória, da Universidade da Amazônia,
abriu, para a cidade, um espaço que não é apenas de saudade.
Olhando para o que se passou, ou ao que ainda resiste ao tempo e à
fúria do progresso, é possível ter uma dimensão mais larga da
realidade em que se vive e, ao mesmo tempo, pensar que ainda dá
para preservar as belezas que o passado construiu.
A contemplação saudosa
- e não saudosista - revela encantos que a cidade foi perdendo ou
esquecendo. As placas com desenhos do arquiteto José Fernandes e
textos de poetas e prosadores que tanto amaram a cidade são
referências; funcionam com sinalizadores, como marcos de amor por
uma terra. Belém revistada pela palavra é a cidade que haverá de
ficar - em alguns casos, a única que ficou - preservada do
esquecimento. Memória e vida, neste caso, são mais do que
sinônimo. São a própria realidade.
Como encantou artistas
da palavra, Belém é uma cidade pela qual facilmente alguém pode
se apaixonar. Verdade que não tem o mar diante- de si, mas oferece
o rio, essa imensidão de águas cor de barro que não permitem que
se veja o fundo, mas espelham o céu como se cristalinas fossem. As
águas cercam a cidade e contam sua história. O casario, os
prédios antigos, as praças, os monumentos, tudo, enfim, que
despertou a palavra de seu sono dicionarizado para se transformar em
poesia, crônica ou em romance aparece nesse Projeto mais humanizado
e, por isso mesmo, mais poetizado.
O olhar que se voltou
para o corpo da cidade já quatro vezes centenária é o mesmo que,
hoje, apreensivo, considera as melhores possibilidades de deixar
para as novas gerações o que, até o momento conseguiu ser
colocado a salvo ou, pelo menos, liberto do esquecimento. A cidade
que não mais existe, ressurge nos cantos de rua e nas praças;
diante de monumentos ou de prédios importantes, não somente como
indicadores de que por ali, um, dia, a cidade pulsou com mais
intensidade. Belém da memória é mais do que memória. É memória
e coração. É Belém, esta cidade de Santa Maria de Belém do
Grão do Pará, para sempre.
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